Estudo da Loupit mapeou 221 travel techs que atuam no Brasil, distribuídas em 16 categorias. Veja os insights sobre cada vertical e o que elas revelam sobre o futuro das viagens corporativas.
Introdução
“Ter 221 travel techs não significa ter 221 inovações. A verdadeira inovação não está em lançar mais uma plataforma, mas em conectar o que já existe e simplificar o que nenhuma delas conseguiu resolver sozinha.”
— Patrick Tytgadt, CEO da Loupit
O que é uma travel tech
Travel tech é a empresa que usa tecnologia como núcleo do produto para resolver uma etapa da viagem: pesquisa, reserva, pagamento, mobilidade, despesa, experiência ou gestão. Diferente de uma agência tradicional com ferramentas digitais, a travel tech nasce da tecnologia e dela extrai sua vantagem competitiva.
No estudo da Loupit, as 221 empresas foram agrupadas em 16 categorias funcionais, sem repetição: cada empresa entrou uma única vez, na vertical onde entrega mais valor.
As 16 categorias do mapa
Mobilidade: a maior vertical (33 empresas)
Com 33 entradas, mobilidade urbana e rodoviária é a categoria mais populosa do mapa. Nomes como 99, Uber, Buser, ClickBus, Tembici e Fretadão convivem com players de nicho como Lady Driver e Navegam. O recado é claro: o deslocamento porta a porta virou commodity digital, e o corporativo que não integra mobilidade ao programa de viagens opera cego num pedaço relevante do gasto.
Tecnologia para Turismo: a espinha dorsal (56 empresas)
Se contássemos como uma única macrovertical, a infraestrutura técnica do setor é a maior do estudo: 56 empresas. Aqui estão os GDSs globais (Amadeus, Sabre, Travelport), channel managers como Omnibees e SiteMinder, ERPs de agências como Wooba, além de PMSs hoteleiros. É a camada invisível que sustenta tudo o que o viajante vê na tela.
Viagens Corporativas: o front da gestão (24 empresas)
A categoria que abriga as ferramentas de self-booking e gestão para empresas soma 24 players, incluindo globais como Navan, SAP Concur e Perk, e brasileiras como Onfly, VOLL, Argo Solutions, BizTrip e Travel Manager AI. É a prova de que a gestão de viagens corporativas se digitalizou de vez — e de que a competição pelo viajante corporativo nunca foi tão acirrada.
OTAs: o varejo digital de viagens (17 empresas)
Booking.com, Decolar, Expedia, Kayak e outras 13 agências de viagens online dominam a venda direta ao consumidor. Sua lição para o corporativo é de experiência de uso: o viajante de negócios espera, na ferramenta da empresa, a mesma fluidez que encontra na OTA que usa no fim de semana.
Eventos e Experiências: viagem também é destino (32 empresas somadas)
Entre as 17 plataformas de eventos (Sympla, Even3, Eventbrite) e as 15 de experiências (Vivalá, Worldpackers, iFriend), o mapa mostra que o conteúdo da viagem — o que se faz no destino — já é economia própria. Para o corporativo, eventos representam o segmento de maior ticket e maior complexidade logística.
Despesas corporativas: o pós-viagem organizado (12 empresas)
VExpenses, Payfy, Flash, Paytrack e outras oito soluções resolvem a prestação de contas. É a categoria que cresceu com a dor do comprovante de papel. A tendência apontada pelo estudo: a fronteira entre expense e viagem está desaparecendo — o natural é reservar, viajar e prestar contas no mesmo fluxo.
Backoffice, Financeiro, Fidelidade e as verticais de apoio
Completam o mapa: 10 sistemas de backoffice para agências (App Sistemas, Monde, Benner), 6 fintechs de pagamento (Clara, Jeeves), 7 programas de fidelidade (Livelo, Smiles, TudoAzul), 8 serviços para viajantes (seguro viagem, vistos, eSIM), 6 proptechs de hospedagem (Housi, Charlie), 4 metabuscadores (Google Flights, Skyscanner), 3 ferramentas de produtividade com IA e 2 plataformas de benefício corporativo em viagens (Férias & Co., OnHappy).
Comparativo das 16 categorias
A tabela compara o tamanho de cada vertical no mapa, seu momento de crescimento e sua relevância para viagens corporativas. Crescimento é uma leitura qualitativa da dinâmica observada pela Loupit — não uma taxa histórica de mercado. A soma permanece em 221 players, com cada empresa classificada em apenas uma categoria.
| Categoria | Players | Crescimento | Relevância para viagens corporativas |
|---|---|---|---|
| Tecnologia para Turismo | 56 | Alto | Muito alta |
| Mobilidade | 33 | Alto | Muito alta |
| Viagens Corporativas | 24 | Alto | Muito alta |
| Agências de Viagens Online (OTA) | 17 | Moderado | Alta |
| Eventos | 17 | Moderado | Alta |
| Experiências | 15 | Moderado | Média |
| Despesas corporativas | 12 | Alto | Muito alta |
| Backoffice | 10 | Moderado | Alta |
| Serviços para viajantes | 8 | Moderado | Alta |
| Programa de fidelidade | 7 | Moderado | Média |
| Financeiro | 6 | Alto | Muito alta |
| Hospedagem | 6 | Alto | Alta |
| Metabuscadores | 4 | Estável | Média |
| Produtividade | 3 | Muito alto | Alta |
| Benefício corporativo | 2 | Muito alto | Média |
| Marketplace de Viagens Corporativas | 1 | Emergente | Muito alta |
| Total | 221 | — | — |
A distribuição mostra que volume e relevância não são sinônimos. Verticais menores, como marketplace, produtividade e benefício corporativo, podem sinalizar mudanças estruturais, enquanto categorias maiores, como tecnologia para turismo e mobilidade, refletem a amplitude da infraestrutura necessária para sustentar toda a jornada.
Marketplace de viagens corporativas: uma categoria à parte
O dado mais revelador do estudo: em 16 categorias e 221 empresas, apenas uma se classifica como marketplace de viagens corporativas multiagência — a Loupit.
A distinção importa. As 22 ferramentas da categoria Viagens Corporativas digitalizam a reserva, mas a maioria opera o modelo tradicional de conteúdo próprio ou de agência única. O marketplace multiagência inverte a lógica: várias agências homologadas pela própria empresa competem em tempo real pela mesma solicitação, e a comparação ao vivo de tarifas acontece dentro da política de viagens, com fluxo de aprovação, centros de custo e expense integrados.
Enquanto cada vertical do mapa resolve um pedaço, o marketplace orquestra o todo: aéreo, hotel, carro, ônibus, mobilidade, remarcação online, relatórios e reembolso de quilometragem em um único ambiente — sem abrir mão das agências de confiança da empresa.
"O marketplace multiagência nasce de uma constatação simples: nenhuma agência sozinha tem o melhor preço, o melhor atendimento e a melhor cobertura ao mesmo tempo. Quando você coloca agências curadas competindo em tempo real dentro da mesma plataforma, o cliente corporativo ganha nas três frentes — e a agência boa ganha volume que jamais alcançaria sozinha." — Patrick Tytgadt, CEO da Loupit
A IA já reorganizou o mapa
O dado mais interessante não está nos percentuais, e sim na composição recente das categorias. Boa parte das travel techs que entraram em operação nos últimos dois anos nasceu com inteligência artificial no núcleo do produto, não como funcionalidade adicionada depois.
Isso muda a leitura do mapa. Antes, cada categoria representava uma etapa isolada da viagem: uma travel tech para reserva, outra para despesa, outra para mobilidade, outra para eventos. Hoje, a IA atravessa todas as 16 verticais como infraestrutura comum. Ela lê comprovantes no expense, reabastece roteiros na produtividade, prevê tarifas nos metabuscadores, automatiza a operação do agente de viagens e classifica risco em pagamentos.
A prova mais clara está nas categorias novas. Produtividade com IA, com três empresas, não existia como vertical há três anos. Expense ganhou velocidade com leitura automática de comprovantes e matching de gastos. Tecnologia para Turismo incorpora assistentes que respondem viajantes e geram cotações. Mesmo Mobilidade e Viagens Corporativas começam a usar modelos de linguagem para recomendar opções dentro da política de viagens.
O efeito prático para gestores e diretores financeiros é a convergência em soluções all in one. Quando a IA é o motor, não faz sentido manter sete ferramentas separadas para uma única jornada de negócio. O que antes exigia uma agência de viagens corporativa, um expense, um app de mobilidade e um gestor de eventos pode ser orquestrado por um único marketplace de viagens corporativas.
A Loupit segue essa lógica: agentes de IA auditam despesas, rebuscam tarifas mais baratas depois da compra, mantêm o calendário de tarifas atualizado e fazem a curadoria das agências parceiras. A tecnologia não substitui a agência — amplia a capacidade dela.
O mapa vai continuar se reconfigurando
Se duas das 16 categorias são praticamente novas e a IA já permeia as outras 13, o mapa de 2026 provavelmente terá menos fronteiras entre verticals. A tendência é que travel techs de gestão de viagens, mobilidade, expense e benefício corporativo se fundam em plataformas únicas. Quem não centralizar a operação corre o risco de pagar a taxa da fragmentação: múltiplas licenças, dados em silos e baixa adesão do viajante.
"O dado que mais me impressiona não é o tamanho do mapa, é a velocidade com que a inteligência artificial deixou de ser diferencial e virou fundação. As empresas que nasceram nos últimos dois anos já nasceram com IA no núcleo. Quem trata IA como funcionalidade extra vai ter que reconstruir o produto inteiro para acompanhar." — Patrick Tytgadt, CEO da Loupit
O contraponto: categorias que não existiam há 3 anos
O mapa também registra o que é novo. Duas das 16 categorias praticamente não existiam no Brasil há três anos:
Benefício corporativo em viagens (2 empresas). Férias & Co. e OnHappy nasceram de uma tese recente: viagem como benefício de RH, e não apenas como custo operacional. A categoria cresce na esteira da disputa por talentos e do trabalho híbrido — a empresa que oferece viagem como benefício usa o mesmo orçamento para reter quem entrega.
Produtividade com IA (3 empresas). Blis AI, Larian AI e Ligai representam a primeira geração de travel techs cuja matéria-prima é a inteligência artificial: assistentes que planejam roteiros, montam agendas e automatizam a operação do agente de viagens. Há três anos, essa categoria seria impensável; hoje, a IA já atravessa as outras 14 verticais como camada obrigatória.
O contraponto é relevante: se em 16 categorias duas são criações recentes, o mapa de 221 empresas tende a ganhar novas verticais nos próximos ciclos — e a fronteira entre "viajar a trabalho" e "trabalhar viajando" segue se dissolvendo.
Uma empresa, uma categoria — mesmo quando ela atua em várias
Um critério metodológico do estudo: cada travel tech entra uma única vez no mapa, na categoria onde entrega mais valor — mesmo quando sua atuação cruza verticais. A própria Loupit é o exemplo: classificada como marketplace de viagens corporativas, também poderia figurar em Viagens Corporativas (gestão, política e fluxo de aprovação), Mobilidade (carro, ônibus e reembolso de quilometragem) e Tecnologia para Turismo (infraestrutura que conecta agências e fornecedores). O mesmo vale para dezenas de players do estudo: Navan e SAP Concur unem viagem e despesa; fintechs como Clara operam pagamento e expense. A soma das categorias, portanto, subestima a sobreposição real do ecossistema — os 221 players cobrem muito mais do que 16 frentes isoladas.
"Categorias novas como benefício corporativo de viagens e produtividade com IA mostram que o viajante deixou de ser só um passageiro: ele virou o centro das decisões de produto. É exatamente essa lógica que guia o cashback gamificado da Loupit — a política de viagens passa a recompensar quem economiza, e não a punir quem precisa viajar." — Patrick Tytgadt, CEO da Loupit
O que o mapa revela sobre o futuro
Três leituras se destacam no estudo:
- Fragmentação é a norma, integração é a vantagem. Com 221 players, a tentação é contratar uma solução por dor. As empresas que mais economizam fazem o contrário: concentram o fluxo em poucas plataformas que conversam entre si.
- A IA já é categoria implícita. De produtividade a expense com leitura automática de comprovantes, a inteligência artificial deixou de ser diferencial e virou camada obrigatória.
- O viajante virou consumidor exigente. O avanço das OTAs e dos apps de mobilidade recalibrou a expectativa de experiência; ferramentas corporativas travadas perdem adesão — e perder adesão é perder economia.
Perguntas frequentes sobre travel techs no Brasil
Quantas travel techs atuam no Brasil?
O estudo da Loupit mapeou 221 empresas de tecnologia para viagens e turismo com atuação no Brasil, distribuídas em 16 categorias, sem repetição entre elas.
Qual a maior categoria de travel techs no Brasil?
Mobilidade lidera com 33 empresas, seguida pela infraestrutura de tecnologia para turismo, com 56 players entre GDSs, channel managers, ERPs e PMSs hoteleiros quando contada como macrovertical de suporte.
O que diferencia um marketplace de viagens corporativas de uma OTA ou de uma ferramenta de self-booking?
A OTA vende direto ao consumidor e a ferramenta de self-booking digitaliza a reserva da empresa, em geral com conteúdo de uma única fonte. O marketplace multiagência faz várias agências homologadas competirem em tempo real pela mesma solicitação, com política de viagens, aprovação e expense integrados.
Veja onde sua empresa está nesse mapa
Se o seu programa de viagens ainda depende de cotação por e-mail e planilha de prestação de contas, o mapa mostra que já existe tecnologia para cada etapa — e que dá para ter todas elas em um só lugar. Simule a economia da sua empresa ou faça um cadastro gratuito e veja a comparação ao vivo funcionando.
Aviso metodológico e de marcas
Este mapa é um levantamento setorial independente elaborado pela Loupit com base em informações publicamente disponíveis até 31/08/26. A inclusão de uma empresa não representa parceria, certificação, recomendação ou endosso. As categorias possuem finalidade exclusivamente informativa e a relação pode não ser exaustiva. Marcas e logotipos pertencem aos respectivos titulares e são utilizados apenas para identificação. Solicitações de atualização, correção ou revisão podem ser solicitadas através do telefone +55 11 2050 0244.














